Institulo de Pesca (IP) de São Paulo

Instituto de Pesca/IP

Instituto de Pesca: de 1980 aos dias atuais

A década de 1980 foi marcada pela consolidação definitiva do Instituto de Pesca como órgão de referência técnica, em virtude dos avanços tecnológicos na área de cultivo de organismos aquáticos. No final dessa decada, resultados de pesquisas foram direcionados aos usuários, através da intensificação de cursos, palestras, simpósios, conferências, dias-de-campo etc.

Nesse período, o navio Orion realizou importantes cruzeiros de pesquisa científico-pesqueira, tendo atuado nas áreas: captura de anchoíta no Rio Grande do Sul, levantamento de bancos de algas laminárias no Espírito Santo, pesca experimental de lulas com atração luminosa e de atuns com espinhel e determinação de parâmetros oceanográficos e meteorológicos nas bacias de Campos e Santos.

Em 1983, o Instituto de Pesca participou da definição das “Diretrizes de Atuação da CPRN” – Plano Setorial 1984/87, integrando o “Sistema de Informação e Administração da Pesquisa” (SIAPA). Reformulou-se então toda a programação do IP, que passou a focar a preservação de estoques pesqueiros e a produção de organismos aquáticos. O programa envolveu 84 projetos ligados aos temas: bioecologia, espécies pelágicas, camarão, controle estatístico e biológico do pescado, biologia e auto-ecologia de peixes de água doce, fisiologia de peixes, espécies demersais, estudos de ecossistemas aquáticos potencialmente favoráveis à aquicultura, maricultura, pesca exploratória e experimental, piscicultura, carcinicultura e ranicultura.

Também em 1983, a Seção de Bioquímica e Microbiologia da Divisão de Pesca Marítima transformou-se em Seção de Maricultura.

Em 1984 destacou-se o convênio celebrado com a CESP para estudos de biologia, reprodução induzida e larvicultura de espécies reofílicas, visando à tecnologia de cultivo.

Em 1985 foi criada a ASSOSIP (Associação dos Servidores do Instituto de Pesca).

Em 1987, a Coordenadoria da Pesquisa de Recursos Naturais (constituída dos Institutos de Botânica, Geológico, Florestal e de Pesca) passou a integrar a recém-criada Secretaria do Meio Ambiente. Ainda em 1987, o Instituto de Pesca retornou à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em razão de seu vínculo com setores produtivos e industriais do Estado.

Em 1988, após uma fase de readaptação, o Instituto integrou-se ao “Sistema de Informação da Pesquisa Agropecuária” (SIPA), da Coordenadoria da Pesquisa Agropecuária. Nesse Sistema, o IP participou do “Programa Geração de Tecnologia”, como parte do “Plano de Ação para a Agricultura Paulista”, no período de 1987 a 1990.

Tornou-se necessária então uma reavaliação dos projetos de pesquisa, que ficaram assim agrupados em dois programas: “Pesca e Aquicultura” e “Diversificação Agropecuária” e nas seguintes linhas de pesquisa: Biologia de Organismos Aquáticos, Reprodução Animal, Técnicas Criatórias, Métodos Experimentais, Estudos Econômicos, Alimentação Animal, Sanidade Animal e Tecnologia de Alimentos, totalizando 88 projetos.

Ainda em 1988 celebrou-se importante convênio com a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), que permitiu a implantação do “Projeto Tainha” e a construção do Laboratório de Maricultura de Cananéia. Um importante resultado desse ato, dentre outros, foi a reprodução induzida da tainha.

Em 1989, o Instituto gerou três importantes documentos: Diagnóstico da Pesca Marítima do Estado de São Paulo, Diagnóstico da Pesca Continental do Estado de São Paulo e Diagnóstico sobre Aquicultura no Estado de São Paulo, que permitiram à instituição traçar a política de pesquisa para a última década do século 20.

Procurou-se assim detectar a demanda do setor privado, priorizando pesquisas sobre tecnologias destinadas ao aumento da produtividade piscícola, que certamente teriam reflexos sócio-econômicos positivos para as comunidades rurais.

Em março de 1991, por solicitação da então nova administração estadual, o Instituto elaborou um plano de modernização do atendimento a aquicultores, visando à agilização desse setor.

Criou-se o “Plano de Atendimento à Demanda de Alevinos para o Estado de São Paulo”, através do “Projeto Fomentar”, vinculado à Divisão de Pesca Interior do IP, destinado à orientação técnica a prefeituras, outros órgãos públicos e empresas privadas, e com base no então “Plano Emergencial para Incremento das Atividades do Instituto de Pesca”. O “Fomentar” contou com o apoio da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (CODASP).

Outras realizações em 1991: a) construção de tanques no Centro de Pesquisa em Aquicultura do Vale do Ribeira; b) ampliação das instalações do laboratório de reprodução de peixes marinhos da Base de Pesquisa de Cananéia; c) início das atividades da Fazenda Experimental de Cultivo de Mexilhões, na Base de Ubatuba; d) reinício dos trabalhos de repovoamento de rios do Estado de São Paulo.

Em 1993 concluíram-se as novas instalações do Setor de Patologia de Organismos Aquáticos, que contribuiu para o avanço dos estudos de moléstias parasitárias e infecciosas e para a operacionalização de métodos de diagnóstico de doenças em organismos aquáticos.

Na década de 1990 ocorreram investimentos consideráveis nas Bases de Pesquisa, com vistas à modernização e expansão das atividades:

  • Inauguração das novas instalações da Estação de Samonicultura Dr. Ascânio de Farias, em Campos do Jordão;
  • Inauguração do Laboratório de Peixes Fluviais Dr. Pedro de Azevedo, em Pirassununga;
  • Inauguração das instalações do Ranário Experimental, em Pindamonhangaba;
  • Remodelação dos laboratórios de Limnologia e de Patologia em São Paulo;
  • Melhoramento do Laboratório de Maricultura de Cananéia;
  • Instalação do Parque Demonstrativo de Pesquisa e Produção de Mexilhões, em Ubatuba;
  • Ampliação do Laboratório de Biometria, com a construção de sala de processamento de camarão de água doce e do Laboratório de Reprodução Induzida, em Pindamonhangaba;
  • Ampliação das instalações do Laboratório na Base de Pesquisas de Ubatuba;
  • Ampliação das instalações do Laboratório de Larvicultura, em Pirassununga;
  • Ampliação do Laboratório de Reprodução e Larvicultura, em Pariquera-açu;
  • Inauguração do Aquário no Parque Fernando Costa, em São Paulo;
  • Restauração do prédio do Museu de Pesca;
  • Na área da informática destacou-se a implantação do “centro de processamento de dados”.

 

Em setembro de 1999, através de decreto criou-se a Coordenadoria de Pesquisa dos Agronegócios. Em maio de 2000, alterou-se a denominação dessa Coordenadoria para Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

As bases de pesquisa do Instituto de Pesca (Campos do Jordão, Pirassununga, Pariquera-açu, Barra Bonita e Pindamonhangaba) da área continental passaram a integrar os Pólos Regionais da APTA.

Em 2000 criou-se a Unidade Laboratorial de Referência em Tecnologia do Pescado, em Santos, área de pesquisa até então vinculada ao ITAL. Em 2003, essa Unidade Laboratorial foi estruturada para atuar em processamento de pescado, cozinha experimental, análise sensorial, físico-química e microbiologia, visando ao desenvolvimento e controle de qualidade de novos produtos. Atualmente, em 2009, essa Unidade se reestrutura fisicamente para atender a pesadas exigências técnicas visando à sua certificação para atuar na área de seguridade alimentar de produtos de pescado.

Em 2002, o Decreto 46488, de 8/1, reorganizou a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA); com essa nova reestruturação, o Instituto de Pesca teve o seu organograma novamente modificado com as estruturas:

  • Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio do Pescado Continental, em São José do Rio Preto;
  • Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio do Pescado Marinho, em Santos;
  • Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Peixes Ornamentais, em São Paulo;
  • Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Recursos Hídricos, em São Paulo;
  • Centro de Administração da Pesquisa e Desenvolvimento;
  • Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento.

O Centro de Comunicação, relevante inovação estrutural, constituído para organizar a dinâmica de informações intra e extra-institucionais, representa instrumento estratégico para a disseminação e popularização dos resultados da pesquisa científica.

Um recurso que reflete o desempenho da comunicação institucional é a progressiva visitação ao site. Criado em 2002, o site do Instituto de Pesca recebeu naquele ano 7.942 visitas. Já em 2008, esse número atingiu 258.187 visitas. O recorde mensal ocorreu em junho de 2008 com 29.137 visitas, ou seja, cerca de mil entradas por dia.

Em 2004, o Instituto criou o Programa de Pós-graduação em Aquicultura e Pesca, em nível de Mestrado. Trata-se de um dos poucos cursos de pós-graduação do país a reunir as áreas de aquicultura e pesca em um mesmo programa.

Para citar outro exemplo de ação institucional, em 2005 iniciaram-se as atividades de pesquisa do Centro Avançado do Pescado Continental, em São José do Rio Preto. Brevemente o Centro contará com três laboratórios especializados, passando a constituir um centro de referência para o desenvolvimento de pesquisas nas áreas de pesca e aquicultura de águas interiores. O objetivo é alavancar o crescimento do segmento de produção de pescado continental, especialmente na região Centro-norte paulista.

Já as obras de ampliação, recuperação e modernização da Unidade Laboratorial de Referência em Limnologia, na Capital de São Paulo, foram o principal destino dos recursos aplicados no Instituto de Pesca em 2008, o que permitirá adequar as instalações físicas aos padrões recomendados pelas normas brasileiras da ISO.

Basicamente, a abrangência científica do Instituto de Pesca envolve as áreas de: estudos ambientais; auto-ecologia; biologia pesqueira e análise de populações; tecnologia de cultivo de peixes, crustáceos, moluscos e macroalgas; biotecnologia e/ou melhoramento animal; tecnologia de pesca; gerenciamento pesqueiro; sócio-economia pesqueira; agregação de valor ao pescado; e tecnologia de processamento de pescado.

Em termos de atividades complementares, o Instituto também atua no controle sistemático de dados estatísticos de pesca continental e marítima, implantação de fazendas-piloto de cultivo, diagnóstico e orientação de medidas profiláticas de doenças em peixes, análise de água, difusão de conhecimentos e tecnologias em pesca e aquicultura, assessoria a órgãos dos poderes legislativo e executivo para a formulação e implantação de políticas públicas para o setor pesqueiro e ações educativas e culturais através do Aquário de São Paulo e do Museu de Pesca.

A síntese do papel do Instituto de Pesca nestes 40 anos é a tradição de diálogo que a instituição sempre manteve com o setor produtivo, tanto da pesca quanto da aqüicultura. Diálogo que tem resultado em cooperação recíproca beneficiando a ciência, a economia e, consequentemente, a sociedade. Cooperar para garantir a sustentabilidade, a disponibilidade e a qualidade dos recursos pesqueiros é o objetivo da ação institucional que se dá através da pesquisa, da difusão do conhecimento especializado e da orientação técnica, seja diretamente ao produtor e consumidor, seja pela participação em colegiados envolvidos no gerenciamento amplo do setor pesqueiro nacional.

Então, com seus 40 anos, misto de juventude e experiência, o Instituto de Pesca tem cumprido a sua função de promover a integração do segmento pesqueiro, através de parcerias entre órgãos normativos, o setor produtivo, a extensão e a pesquisa científica para subsidiar e alavancar as iniciativas de desenvolvimento do agronegócio do pescado, sempre com o foco na sustentabilidade e na segurança alimentar.

Diretores do Instituto de Pesca

Eis os diretores que, paralelamente às suas responsabilidades como pesquisadores, dedicaram-se à administração do Instituto de Pesca, em boas e más fases, no que se inclui: coordenar o planejamento de pesquisa, equilibrar receitas e despesas, construir a imagem institucional, superar conflitos interpessoais, consolidar parcerias e bem representar a Instituição frente à hierarquia a que está subordinado. E isso sempre, obrigatoriamente, com um olhar no futuro e o apoio leal de toda a cadeia de comando institucional.

 

  1. Álvaro da Silva Braga (maio de 1969 a fevereiro de 1972)
  2. José Maria Bramley Barker (fevereiro de 1972 a agosto de 1975)
  3. Luiz Fernando Cruz Marcondes (dezembro de 1975 a setembro de 1976)
  4. Paulo Isnard Ribeiro de Almeida (setembro de 1976 a março de 1978)
  5. Albino Joaquim Rodrigues (maio de 1978 a março de 1979)
  6. Newton Castagnolli (setembro de 1980 a fevereiro de 1983)
  7. Alexandre Assis Bastos (abril de 1983 a março de 1985)
  8. João Donato Scorvo Filho (março de 1985 a abril de 1987)
  9. Hélio Ladislau Stempniewski (maio de 1987 a dezembro de 1987)
  10. João Donato Scorvo Filho (dezembro de 1987 a janeiro de 1990)
  11. Heloisa Maria Godinho (janeiro de 1990 a junho de 1999)
  12. João Donato Scorvo Filho (julho de 1999 a julho de 2001)
  13. Edison Kubo (janeiro de 2002 a outubro de 2015)
  14. Luiz Marques da Silva Ayroza (novembro de 2015 até o momento)